segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Polícia acredita que tráfico controla com câmeras local em que homens foram carbonizados no Recife


A maioria das câmeras de monitoramento instaladas instaladas em becos e postes na região onde ocorreu um tiroteio que acabou com dois homens carbonizados em um carro, na noite de domingo (17), em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, são ilegais, apontou a Polícia Civil nesta segunda (18). De acordo com o delegado Jorge Ferreira, um dos responsáveis pelas investigações, os equipamentos são utilizados por criminosos em favor do tráfico de drogas na região. (Veja vídeo acima)

“A maioria dessas câmeras, principalmente as que estão na entrada da comunidade, são ilegais. Não são oficiais, não são de condomínio", explica o delegado. Questionado se elas seriam de propriedade de traficantes da área, Ferreira confirmou. "A gente calcula que sim. Inclusive, várias delas já foram arrancadas por policiais em trabalho investigativo, mas foram repostas. Há sempre essa demanda de retirar o que está favorecendo o crime, mas, a grosso modo, eles recolocam de volta", afirmou o delegado.

Ainda segundo o delegado, o crime do domingo tem relação com a disputa pelo controle do tráfico de drogas na comunidade Entra Apulso. Ele contou ainda que uma bala foi parar no 13º andar deste prédio onde, no momento, estava sendo celebrado um culto religioso.

“O líder da quadrilha que atuava na área foi morto e o cargo ficou vago. Acredito que existe uma guerra com o pessoal da comunidade Irmã Dorothy, na Imbiribeira, que quer tomar o controle da venda de drogas. Entendemos este crime como um ‘recado dado’ para a comunidade”, explicou Ferreira.

Identificação dos suspeitos

A Polícia Civil afirmou, em coletiva de imprensa nesta segunda, que já tem “fortes indicativos” da identidade dos suspeitos do crime de domingo (17) em Boa Viagem. Em entrevista coletiva realizada no centro da capital pernambucana, o diretor integrado das Delegacias Especializadas da PC, Luiz Andrey Oliveira, explicou que, até o momento, as duas vítimas também seguem sem identificação.

“Precisamos de uma prova técnica, mas temos muitas imagens em nosso poder e outras já solicitadas. São quatro suspeitos, que chegaram em dois carros, possivelmente roubados. Temos fortes indicativos de quem são os suspeitos e as próprias vítimas, mas seria irresponsabilidade confirmar essas informações sem laudo”, afirmou o delegado.

Segundo a polícia, o crime tem relação com uma guerra pelo domínio do tráfico de drogas entre duas comunidades da região. “Não há dúvidas de que o crime tem relação com a disputa territorial entre traficantes da comunidade Entra Apulso e outra comunidade próxima”, apontou.

As investigações sobre o caso vão ficar sob responsabilidade do delegado Francisco Océlio, do Departamento de Homicídios e Proteção às Pessoas (DHPP). “É um crime que precisa de informações de diversos campos. Mandamos uma equipe do Departamento de Repressão ao Narcotráfico, do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais além da Delegacia de Boa Viagem, mas todas as informações vão ser concentradas no DHPP”, explicou.

Ainda segundo a polícia, a principal suspeita é de que as vítimas que tiveram o corpo carbonizado dentro do carro teriam sido assassinadas a tiros, anteriormente, ou já estariam quase mortas antes de chegarem ao local do tiroteio e incêndio.

“Elas não esboçaram reação nenhuma. Os peritos vão dizer se há condições de fazer um exame papiloscópico, para analisar as impressões digitais dos dois. Também estamos esperando possíveis familiares que ainda não compareceram”, finalizou o delegado.

Nesta segunda-feira (18), policiais militares estiveram na comunidade. Armados, percorreram ruas por volta das 10h30, mas não há informação sobre presos ou apreensões.
Fonte : G1 
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